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Presidente da COPAGRA assume Alcopar

O agrônomo de Nova Londrina e presidente da COPAGRA (Cooperativa Agroindustrial do Noroeste do Paraná), Miguel Rubens Tranin será reconduzido à presidência da Alcopar (Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná) hoje. Miguel está ocupando o cargo interinamente desde a morte do ex-presidente da entidade Anísio Tormena, em maio passado.

A eleição do presidente da Alcopar deve ser feita por aclamação, já que se trata de uma única chapa de consenso entre os integrantes da entidade. Junto com ele assume a vice-presidência da entidade o empresário Sidney Meneguetti, do grupo Santa Teresinha.

Tranin falou para a reportagem do DN sobre os desafios para o setor, que vem se recuperando da crise econômica mundial que afetou as usinas durante os dois últimos anos. Falou ainda sobre a mecanização da colheita e o fim das queimadas, a expansão do setor no Paraná e os preços praticados na bomba.

Tranin além da Alcopar assume a presidência do Sialpar (Sindicato das Indústrias Fabricantes de Álcool do Paraná), a Siapar (Sindicato das Indústrias Fabricantes de Açúcar do Paraná) e o Sibiopar (Sindicado das Indústrias Fabricantes de Biodiesel do Paraná). Confira os principais trechos da entrevista.



DN – Tranin a indicação para a presidência da Alcopar te pegou de surpresa?



Miguel Tranin - Na verdade estávamos ainda bastante abalados pela perda do Anísio Tormena, nosso amigo pessoal, mas o setor e as entidades reunidas têm que dar sequência no trabalho. Diante de um processo eleitoral é muito importante as ações e as propostas repassadas pelo setor aos candidatos, como vem ocorrendo. Nesse contexto tive a grata surpresa de ser indicado para o cargo de presidente.



DN - Qual sua expectativa a partir de sábado como presidente da Alcopar?



Miguel Tranin - Na verdade nós na última assembleia já havíamos assumido a presidência interina da Alcopar, então já fizemos algumas reivindicações elaboradas pela Alcopar para serem entregues para os candidatos. A Alcopar tem sido uma incubadora de grandes projetos para o Paraná. Estamos com o novo projeto do Alcoolduto, uma proposta que vem trazer um ganho muito grande para o nosso estado em economia logística, além da retirada de um número significativo de caminhões das estradas. O Alcoolduto irá ligar Maringá a Araucária e Paranaguá.



DN - Quais a principais reivindicações feitas pela Alcopar para o setor?



Miguel Tranin - A primeira é a questão da servidão onde irá passar o Alcoolduto, estamos pedindo o comprometimento dos candidatos em apoiar o projeto, já que alcoolduto é de extrema importância para o estado. Outra reivindicação é a equalização tributária junto aos demais estados. Na questão ambiental, já temos junto ao atual governo uma comissão para estabelecer regras e prazos para a mecanização e redução das queimadas gradativamente.



DN - O ex-presidente da Alcopar, Anísio Tormena previa um crescimento de área de cultivo da cana-de-açúcar na região Noroeste, como você analisa esse crescimento?



Miguel Tranin - Hoje a preocupação é de que a cana-de-açúcar ocupe espaços de outras culturas entre elas; a produção de alimentos, vejo que isso não vem acontecendo no Paraná. O setor vem se desenvolvendo em áreas de pastagem onde não existe a competitividade, se não houver investimentos tecnológicos na pecuária a produção de cana se torna mais rentável para o produtor, a cana-de-açúcar vem ocupando este espaço de pastagem. Não creio em uma monocultura na região futuramente. Os dois últimos anos a produção de cana não deu lucro para o produtor. Tenho produtor que está no caminho oposto substituindo o canavial por pastagem devido à rentabilidade econômica.



DN - Durante os dois últimos anos o setor sucroalcooleiro passou por um momento de crise, com usinas sendo incorporadas por grandes grupos e algumas parando nas mãos do capital estrangeiro. Qual a expectativa da Alcopar para os próximos anos?



Miguel Tranin - Estamos em uma fase de recuperação com muitos investimentos no setor. O setor no Paraná vinha crescendo ao ritmo de aproximadamente 10% durante os últimos 15 anos, e tivemos essa crise econômica violenta nos últimos dois anos, não só no Paraná, mas em todo o Brasil houve uma concentração muito grande no setor, ou seja grandes grupos acabaram adquirindo pequenas empresas com problemas financeiros. No primeiro momento nos preocupou bastante este fato, hoje estamos vendo o comportamento desses grandes grupos no mercado, são bem mais profissionais e conservadores, antes as unidades individuais com dificuldades passavam a liquidar todo o seu álcool a qualquer preço pra fazer fluxo de caixa. Hoje os grandes grupos têm como controlar isso, com planejamento de mercado, hoje estão vendendo o açúcar com bons preços fechados no ano passado, eles têm a condição ainda de segurar o álcool e segurar os preços, dando uma melhor estabilidade para o setor, o que deve garantir uma rentabilidade para o produtor rural.



DN - Com a entrada da mecanização no corte da cana-de-açúcar qual seria o prazo final para o fim das queimadas?



Miguel Tranin - Uma questão é a queima da cana no estado de São Paulo onde se concentra 60% da produção nacional, e hoje os canaviais paulistas estão próximos aos centros urbanos, gerando alguns problemas como o da fuligem. No Paraná esse problema não ocorre, os canaviais estão distantes das cidades. O fim da queima tem que ser gradativa por alguns fatores, primeiro o social com o fim da queimada geraria um desemprego muito grande, então temos um acordo com o governo onde toda a expansão de áreas de cultivo de cana tem que ser mecanizada, e nós temos feito isso gradativamente. Por si só a mecanização não vai eliminar a queima por total, temos que fazer outros trabalhos como o treinamento dos operadores de máquina. Hoje uma máquina substitui de 100 a 120 trabalhadores, no Paraná cerca de 20% da colheita já é mecanizada, e no nosso planejamento é que a substituição seja feita até 2025, destacando que a mecanização não vai acabar com o trabalho manual. São mais de 75 mil empregos diretos ofertados atualmente pelo setor no Paraná.





DN - Qual a expectativa da Alcopar em relação ao próximo presidente da república?



Miguel Tranin - Qualquer que seja o vencedor das eleições vejo que o Brasil irá continuar crescendo, eu não tenho receio de qualquer que seja o presidente eleito, é a vez e a hora do Brasil. É o grande momento do nosso país. Dos governantes esperamos investimentos fortes na infraestrutura, em rodovias, nos portos e ferrovias. O Brasil tem que parar de ser só um produtor de matéria-prima, temos que agregar valor, ao invés de exportarmos o minério de ferro por que não exporta já o aço. Só dessa forma teremos boa remuneração para os nossos trabalhadores.



DN - Setor do etanol é diferente do combustível fóssil, onde nos picos de safra o preço na bomba cai drasticamente para o consumidor, já no período da entressafra o valor é elevado tornando inviável o abastecimento com etanol. Como a Alcopar vê essa situação?





Miguel Tranin - É claro e natural que o consumidor goste de preços baixos, o que frisamos é que não tem como manter a cadeia de produção do combustível sem equilíbrio no setor, não adianta abastecer barato, se não damos sustentabilidade para os nossos produtores. Os preços baixos praticados não é a realidade do setor, o que aconteceu é que as usinas vendidas ou incorporadas praticaram preços fora da realidade para fazer caixa. Isso fez com que muitos produtores pensassem em deixar o setor, o produtor espera remuneração e isso não está acontecendo hoje, o que esperamos é um equilíbrio onde toda a cadeia produtiva seja remunerada. Esse desequilíbrio surge em momentos difíceis, a base do preço do álcool era estipulada na margem dos 70% em relação ao valor da gasolina, hoje com a eficiência maior dos motores podemos até mudar o índice, mas os 70% acomodaria bons resultados para toda a cadeia incluindo o produtor, o grande interessado.



DN - Qual a expectativa para a safra 2010/2011?



Miguel Tranin - Já estamos no Paraná com 30% da safra colhida, embora temos uma baixa produtividade por questões climáticas, mesmo com a sobra de cana no campo da safra anterior a expectativa de baixa produtividade está sendo maior que a esperada. A cana embora esteja com aspecto bom no campo ela não está com boa produtividade na indústria.



DN - Como está o setor em relação ao mercado internacional?



Miguel Tranin - Nos países da comunidade europeia tivemos uma redução nas exportações, creio que alguns países devem voltar a exportar nossa produção gradativamente sendo normalizada até o próximo ano.

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